
Eu sei quantas lágrimas causa a dor, mesmo sem tê-las contado. Eu sei o que se vê no nada, quando se é abandonado, eu senti o barulho da ventania da desilusão e o arrepio da traição. Eu senti os caminhos molhados no rosto pela tristeza, eu senti as apunhaladas da lembrança, e eu já me senti a pessoa mais inútil do mundo. E tudo porque eu vi quem eu amava partir, como se tudo nunca tivesse significado nada... e eu sabia, que realmente não tinha significado.
Não se ama meio termo, nem metade, nem um pouco, ou se engana. Se ama de verdade, ou apenas se passa o tempo, perdendo o tempo. Não se brinca de achar que tudo vai dar certo: se luta, ou nunca se tenta. Não se perde tempo se arrependendo, ou é na hora certa, ou nunca mais.
Sobrevivi à dor.
Tenho orgulho de todas as minhas lágrimas, e de todos os "adeus". Minhas lágrimas limparam a minha dignidade e me fizeram ver o amor que eu tinha por mim mesma, e em todas as despedidas, eu me encontrei. Foi preciso provar o féu, para agradecer a doçura do maná. E foi preciso estar jogada às cinzas, para valorizar a mão mais simples a prestar-me ajuda.
Só a dor ensina, só a dor liberta, só a dor enaltece, a dor cura,
porque as vezes só ela te faz enxergar. As vezes a dor é o único
sinal que você está realmente vivo. E a dor é o único sentimento
que nos prepara para sorrisos duradouros, intensos e
maduros.
E eu me orgulho de todos os meus gritos (silenciosos) desesperados,
toda a minha revolta, toda a minha injúria, toda a minha decepção,
pois antes esses, que o silêncio do remorso. A dor em mim, pude
sanar, mas não poderia se fosse eu que tivesse causado à
alguém.
Deus colocou estrategicamente uma mudinha, no local exato em que sabia que minhas lágrimas cairíam, para que essas não tivessem sido vãs e pudessem produzir um bem, uma vitória. Eu cresci com todo o mal que alguem me fez, mas diminuí todas as vezes que magoei um alguém qualquer. E por isso, toda a vida vou preferir doar meu tempo em esquecer as minhas más lembranças, do que não possuir o tempo que eu seria o motivo delas.
Na dúvida eu disse não, eu me afastei, eu recuei, eu disfarcei, me fiz de desentendida, mas eu nunca brinquei com o sentimento de ninguém. E por toda a vida vou preferir ser abandonada, que saber passar por tudo o que eu passei, alguém que já me fez feliz um dia.
Eu voltei no caminho de quem me deixou, eu voltei a ser o seu destino, a ter valor, e ser reconhecida, mas já era tarde demais. Eu perdoarei esse alguém, mas não os fatos e nem os motivos... é tarde demais.
E assim acontecerá com todos que nos rejeitaram, eles voltarão, porque amor não se acha em qualquer um e nem quando se quer. Mas nós, quando desfalecidos e enganados, eis que o amor nos encontrará novamente, ou melhor, de verdade. E nos fará entender que antes as injúrias, que a culpa. Eis então que é chegada a hora do "para sempre".
Ninguém é feliz com as lágrimas de ninguém. Ninguém deixa para trás a dor que causou à alguém, pois essas lhe acompanharão por todos os sorrisos e alegrias.
É por isso que por toda a vida, vou
preferir ser a que chora (primeiro).

Dedico estas palavras à alguém muito especial, que eu conheço a pouco tempo, mas o bastante para saber que ela não merece passar pelo o que está passando. Nada que eu fale vai mudar a ferocidade da dor, mas peço que aguarde, o tempo leva e transforma todas as coisas.
( Dih)



































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